quarta-feira, 11 de abril de 2012

Um Assassinato Arquivado

Capítulo 3

Dirigiu alguns bons vinte minutos até chegar à rua mencionada pelo investigador. Procurou pelos números enquanto percorria a rua devagar. Finalmente, encontrou o número 345. Era uma bela casa. De madeira branca, com uma cerca baixa também de madeira. Um daqueles sininhos barulhentos perto da porta e uma bela varanda com uma cadeira de balanço.
Subiu as escadas em direção à porta.
Bateu.
Aguardou pelo menos uns dois minutos.

Um senhor aparentando uns setenta anos abriu a porta e estreitou os olhos quando viu Lisa.
- Sim? – disse ele.
- Olá, o senhor se chama Edmond Hook?
- Sim, sou eu. Quem quer saber?
- Meu nome é Lisa Hervik, e gostaria de falar com o senhor, sobre meu pai. Harold Hervik.
Ao ouvir esse nome, o velho senhor arregalou os olhos e prosseguiu.
- Oh, mas veja só! Você é a filha do falecido Harold, é isso? – Lisa assentiu com a cabeça. – Entre, querida, entre! E sinta-se à vontade.
Lisa seguiu o senhor que demoradamente entrou na casa e se sentou numa poltrona velha em frente ao sofá. A casa tinha um ar bem antigo e um cheiro de jasmins recém colhidos. As paredes estavam repletas de molduras com rostos sérios em fotos preto e branco. Havia um espelho belo e redondo acima de um balcão com bibelôs de cerâmica florida dos anos sessenta e guardanapinhos de pano. Lisa notou um grande gato cor de caramelo dormindo num cesto ao fundo da sala. Parecia que naquele momento o único som do ambiente era o tique taque de um velho relógio cuco preso à parede e o tilintar de louça na cozinha. Lisa imaginou, que a empregada do senhor Hook estivesse por lá.
- Então, senhorita Hervik, em que posso ajudá-la? – Perguntou a ela o senhor Hook.
- Bem, o senhor sabe que as investigações sobre a morte do meu pai não deram em nada, senhor Hook. Minha mãe morreu há alguns dias, e depois desta ocasião eu decidi voltar a investigar a morte de meu pai por conta própria.
- Ah, sua mãe morreu? Como?
- Ela se suicidou. – disse Lisa, ainda lembrando da expressão da mãe e dos olhos vidrados dela quando a encontrou morta na cama.
- Nossa, eu realmente lamento muito. – respondeu Hook.
- Obrigado, senhor. Mas o ponto, é que, nessas minhas novas investigações fiquei sabendo que meu pai havia vendido esta casa para o senhor antes de morrer. E o senhor também deve saber que meu pai foi morto numa rua há um quarteirão da sua casa. Visto que nem meu pai nem ninguém da nossa família conhecia mais alguém que morasse aqui nos arredores além do senhor, eu imaginei que talvez ele estivesse vindo ao seu encontro. O que eu gostaria de lhe perguntar, é se o senhor tem alguma idéia do que meu pai queria fazer aqui, na noite em que foi morto.
- Suponho, que ele quisesse falar comigo, e imagino que ter sido morto por aqui tenha sido uma completa coincidência. Afinal, mesmo que seu pai viesse até esta casa naquele dia, não teria conseguido me encontrar.
- Como? Mas por quê?
- Porque eu não morava nesta casa naquela época, senhorita Hervik.
- Mas pelo que eu soube, meu pai havia lhe vendido esta casa. O que aconteceu?
- Oh, é uma longa história, minha criança... Não creio que você vá ter tempo para ouvir...
- Bem, com isso o senhor não precisa se preocupar. Se estiver disposto a me contar, sou toda ouvidos.
- Tudo bem então. Seu pai me vendeu esta casa dez anos antes de ser morto há um quarteirão daqui. Eu morei nesta casa por seis anos. O tempo em que exerci a batina.
- O senhor largou a batina?
- Sim, larguei. Eu fui padre por alguns bons anos. Mas eu era novo e simplesmente não sabia muito bem o que queria da vida. Segui os conselhos de minha mãe e acabei me tornando padre. Mas depois de seis anos, conheci Ana, minha esposa. Ela era linda e me fez notar o quanto estava perdendo seguindo aquela vida. Larguei a batina cinco anos depois de seu pai ter me vendido esta casa e ainda morei nela por um. Quando me casei com Ana, as coisas começaram a se tornar difíceis. Numa cidade pequena e com gente de pensamento antigo, como essa, um padre que largou a igreja para se casar e constituir uma família não era bem visto. Então, nós nos mudamos para uma cidade maior e eu e minha esposa vendemos esta casa para a irmã dela, Isabela. Esta é a história, querida. Seu pai não poderia ter falado comigo, porque eu já não morava aqui, quando ele me procurou.
- E como o senhor acabou voltando a morar aqui? – Lisa perguntou, intrigada com o fato de que agora, o senhor Hook vivia naquela casa.
O velho se ajeitou na poltrona, soltou um muxoxo e voltou a falar.
- Há uns quinze anos Isabela sofreu um grave acidente e não sobreviveu. Deixou, segundo o testamento, esta casa, como herança à minha mulher. Nós a alugamos para um casal por um tempo, mas notamos que ter uma vida calma e tranqüila depois da aposentadoria seria mais fácil no interior. Então, voltamos pra cá. Hoje em dia, poucas das pessoas que sabem que eu larguei a batina ainda estão vivas, então, a preocupação com isso praticamente inexiste.
Se passou mais de um minuto até que Lisa decidiu falar de novo. Ela havia entendido, que mesmo que seu pai tivesse chegado àquela casa no dia de sua morte, não teria conseguido encontrar o velho Hook. Mas enfim, entendeu, porque a polícia não o entrevistou, nem o procurou, quando o assassinato aconteceu, afinal o velho Hook nem morava ali naquela época.
- Olha, eu sei que posso estar sendo meio incômoda, mas eu gostaria de lhe perguntar outra coisa.
- E o que seria, senhorita? – respondeu o velho.
- Mesmo que meu pai não tenha conseguido chegar até aqui na noite de sua morte, e mesmo que se ele tivesse chegado nunca teria conseguido ver o senhor, ainda assim, existe o fato de que ele veio até aqui. Significa que apesar de não ter tido sucesso, ele queria tratar sobre algum assunto com o senhor. Você teria idéia de qual assunto seria este, senhor Hook?
O velho se pôs a pensar por uns dois minutos até que respondeu.
- Seu pai me mandou uma carta, um mês antes de sua morte.
- É? E o que ela dizia?
- Não consigo me lembrar direito, mas dizia algo sobre precisar de ajuda religiosa. Seu pai obviamente não ficou sabendo que eu havia largado a batina e nem que eu não morava mais aqui. Isabela demorou muito tempo até enviar a carta para meu endereço na outra cidade e quando eu a recebi, seu pai já estava morto há meses e as investigações já haviam sido encerradas por falta de provas.
- Por isso o senhor não mostrou a carta para a polícia?
- Sim, por isso. Imaginei que se a polícia não havia descoberto quem matou Harold até aquele momento, uma simples carta não iria ajudar àquela altura.
- O senhor ainda possui esta carta, senhor Hook?
- Deixe-me pensar... Ela pode ter se perdido na nossa última mudança, mas talvez eu ainda a possua.
Dito isto, o velho senhor se levantou e devagar foi até o balcão abaixo do espelho e abriu algumas gavetas. Tirou de uma delas uma caixa de sapatos que quando abriu, Lisa notou estar cheia de cartas com papéis amarelados e carcomidos.
Depois de remexer nela por alguns minutos, tirar e pôr de volta cartas e mais cartas, o velho senhor encontrou a carta de Harold Hervik, e entregou-a a Lisa.
A carta datava de 12 de Março de 1985.





“Caro Edmond,

Sei que é estranho que eu esteja lhe procurando tanto tempo depois
de ter lhe vendido a casa e perdido contato, mas eu preciso falar
com você. Você é o único padre que eu realmente conheço e eu
preciso muito de sua ajuda e de seus conselhos. Ando passando por
uma situação extremamente difícil e não sei o que fazer. Temo que
algo possa acontecer à minha família. Não se preocupe, Virginia e
Lisa estão bem. Elas não correm perigo, mas o que eu temo, é que
sofram por minha causa e por causa de E. D.
Espero que o senhor me responda o quanto antes para que eu possa lhe
explicar e lhe pedir alguns conselhos. Quando responder, diga-me um dia
e uma hora em que eu possa me encontrar com o senhor.

Afetuosamente, Harold Hervik”

Após ler a carta, Lisa agradeceu ao senhor Edmond, despediu-se e saiu para o dia quente e ensolarado. Quando entrou no carro, estacionado do outro lado da rua, ficou parada com as mãos ao volante pensando no que havia lido. “E. D.” De onde isso lhe era familiar? Havia decidido deixar pra lá e só voltar a pensar nisso quando estivesse em casa, depois de tomar um banho quente. Então seu telefone tocou. Era Lena.
- Oi, Lena.
- Oi Lis! E aí, conseguiu alguma coisa com o velho?
- Ah Lena, por favor, não fale assim dele. Consegui sim. Descobri porque meu pai estava tentando encontrar com ele no dia em que foi morto, mas estou muito cansada para te contar agora. Vou pra casa e amanhã, quero que você venha almoçar comigo e eu lhe digo tudo.
- Tudo bem, mas pô Lis, me dê só uma pista!
- Ok. O senhor Edmond Hook, era padre.
- Sério? Como assim, era padre?
- Ele largou a batina e se casou.
- Ta brincando! Corta essa!

Lisa dirigiu até sua casa com mil pensamentos tribulando em sua caceça. Não sabia direito o que fazer. Não sabia como conseguiria seguir alguma pista sobre o assassinato do pai sem nem sequer ter ajuda de um investigador.
Mas aquelas duas pequenas letras. Ela as conhecia... Não conseguia se recordar de onde.
Lisa ligou o rádio do carro e nele estava tocando uma balada do momento. Até que lhe ocorreu um baque. No meio da estrada pouco movimentada, freiou o carro ofegante e desligou o rádio. O semáforo indicava uma luz verde. E tudo voltou a sua mente.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um Assassinato Arquivado

Capítulo 2

Lisa acordou algumas horas depois. O disco girava na vitrola emitindo um ruído surdo, depois de já ter tocado todas as canções do lado A. Lisa virou o disco, colocou para tocar a primeira música do lado B e olhou para o sofá.
Aquela sala de estar lhe lembrava muitas coisas. Coisas boas. Por este motivo, foi até seu quarto, pegou um cobertor e voltou para a sala. Adormeceu ali mesmo, acordando somente no dia seguinte, perto do meio dia, enquanto lá fora, pássaros assoviavam e o sol do final da manhã irradiava pelas cortinas do cômodo.

Era segunda feira. Uma bela segunda feira primaveril. Lisa levantou-se, foi até a cozinha e começou a preparar um café. Depois, comeu um sanduíche e sentou-se à mesa. Estava triste. A casa parecia realmente silenciosa e vazia agora. Levantou-se depois de alguns minutos e foi até o quintal dar comida ao cachorro. Quando voltou, decidiu-se. Ligaria para Helena e perguntaria à ela se poderia conseguir nos arquivos do departamento de polícia os papéis sobre a morte de seu pai. Era uma cidade pequena e Lisa não acreditava que seria realmente difícil que Lena conseguisse.
Discou o número e pouco tempo depois Lena atendeu:
- Oi, Lena! Preciso do seu primeiro favor.
- Ah meu Deus, que houve?
- Preciso que você saia da delegacia e vá até o departamento de polícia ver se consegue me trazer a caixa do caso de meu pai com todos os arquivos.
- Olha, Lis, eu já falei pra você que é loucura...
- Lena, você falou que iria me ajudar, não pode me deixar na mão agora.
- Ok, ok. Vou lá no meu horário de almoço, que afinal, é daqui a pouco, pode ser?
- Pode, muito obrigado, amiga.
- De nada, agora quero que você coloque uma música bem alta nessa casa, da Gloria Geynor de preferência e cante bem alto I Will Survive enquanto limpa tudo. Faz bem!
Lisa riu e disse que faria isso. Agradeceu mais uma vez e desligou o telefone.

Helena saiu para almoçar quando faltavam dez minutos para o meio-dia. Comeu um hamburguer na lanchonete da esquina o mais rápido que pode e andou até o estacionamento da delegacia.
Dirigiu aproximadamente quinze minutos até a porta da sede da polícia da cidade. Estava tudo relativamente parado. Uns poucos seguranças e policiais zanzavam de um lado à outro por ali, afinal ainda era horário de almoço.
Lena mostrou o distintivo para o homem que estava na portaria. Um senhor relativamente velho, gorducho e com um farto bigode. Falando meio baixo, Helena disse ao velho que precisava da chave da sala onde eram guardadas as caixas com todos os casos arquivados da cidade. O homem estranhou o pedido e lhe perguntou o porque. Helena explicou que estavam reabrindo um caso e que ela faria parte da investigação.
O velho lhe pediu uma autorização por escrito e então, Helena apoiou-se na mesa, deixando o decote um pouco à mostra (ela fez questão de abrir alguns botões da camisa antes de passar pela porta) e disse com a voz mais aveludada que conseguiu fazer:
- Olha, meu superior não me deu nenhuma autorização em escrito, porque pediu que eu pegasse a caixa com pressa, durante o horário do almoço, entende. Mas eu tenho certeza de que um cara tão gentil quando o senhor, vai poder me fazer esse favorzinho. Você me passa a chave e eu lhe passo meu telefone particular.
Então, Helena deu uma piscadela e sorriu um sorriso que faria qualquer um derreter-se. O homem, enfim, concordou. Levantou-se, foi até um armário de parede atrás de sua mesa e pegou uma das chaves penduradas. Deu a Helena e estendeu um papel para que ela escrevesse seu telefone.
Helena, obviamente, deu seu telefone errado, trocando alguns números, depois andou até o elevador e apertou o número quatro. Aguardou e quando a porta do elevador se abriu, o silencio era o que imperava. Ela andou por um corredor gelado de paredes verde claras até chegar onde queria. O chaveiro que o homem lhe dera possuía duas chaves. Lena abriu a primeira porta, andou até o fundo da sala em meio a prateleiras repletas de caixas pretas com nomes e datas escritas. Chegou à uma outra porta com os dizeres: Departamento de Casos Não Resolvidos. Destrancou e abriu a porta. Acendeu a luz. As prateleiras possuíam etiquetas de papel coladas com os anos em que haviam ocorrido os casos. A primeira que Helena viu, dizia: 2000 – 2005. Conferiu mais algumas prateleiras, cada vez mais pro fundo da sala. Quando encontrou a etiqueta que dizia: 1980 – 1985, parou. Foi então, passando os olhos caixa por caixa. Até que parou em uma. Tinha encontrado. Hervik, Harold – 1985. Arquivado. Helena pegou a caixa, saiu até o corredor, não sem antes se certificar de que havia trancado tudo devidamente. Quando entrou no elevador, havia nele um policial de uns 30 anos. Ela apertou o botão do térreo. Notou que o policial havia apertado o botão do subsolo. De repente, ele disse:
- Nova investigação?
Helena, sem animação respondeu:
- Não, caso reaberto.
- Hm. Esse morto tem muita sorte de ter sua vida investigada por uma gata como você.
Nesse momento o elevador havia parado no térreo. Helena olhou para o policial, disse “Você é um tremendo imbecil” e saiu andando.
Era meio dia e quarenta e cinco minutos. Lisa morava perto dali. Daria tempo de levar a caixa até ela e assim, não entrar na delegacia com todos aqueles arquivos. Isso certamente causaria alguma desconfiança.

Lisa ouviu a campainha e se dirigiu até a porta. Quando abriu, viu Helena com aquela caixa enorme nas mãos. O sorriso que Lena possuía no rosto se esvaiu assim que ouviu a música que vinha lá de dentro. Era uma música melosa e triste de Celine Dion. Lena disse:
- Eu falei Gloria Geynor, garota e não Celine Dion depressiva.
Lisa deu uma risada e respondeu:
- Ah, você chegou tarde demais, agora a pouco estava tocando I’m Alive.
As duas riram. Lena deixou a caixa com Lisa, pediu desculpas por já ter que ir e voltou para a delegacia.

Lisa largou a caixa em cima da mesa e foi até a sala. Desligou o rádio. Voltou até a cozinha, sentou e ficou observando a caixa.
Abriu e deu uma olhada dentro. Papéis e mais papéis. Um bloco de anotações. Provavelmente devia ser do policial encarregado do caso, que Lisa soube alguns anos antes, havia morrido. Uma pasta com os dados de seu pai. Lisa deu uma olhada nas anotações, mas não passavam de trechos de depoimentos e frases desconexas com muitas abreviações que Lisa não conseguia entender. Decidiu então, subir até o sótão da casa para pegar a caixa da investigação que um investigador particular contratado pela mãe anos antes havia feito.
Depois de juntar todos os arquivos começou a lê-los minuciosamente.
Não conseguiu encontrar nada que pudesse ajudar e então se perguntou porque o pai havia sido morto naquela parte da cidade, já que não conheciam ninguém de lá. Após uma meia hora examinando as anotações do investigador particular, encontrou uma página que dizia:

Dia 10 de maio de 1996:

Depoimento de Ana Culligan, moradora que chamou a ambulância e que encontrou o corpo. Rua Del Noteu nº 200
- Nervosa. Se pergunta porque tem de contar tudo novamente já que já conversou com a polícia antes sobre esse caso várias vezes.
- Conta simplesmente que estava jantando com o marido, por volta das dez e trinta da noite quando ouviu um grito, saiu para a rua e encontrou Harold esfaqueado no chão.
- Perguntei se costumava jantar sempre tão tarde com o marido. Ela responde que o marido é médico e sempre chega tarde em casa.
Sem mais declarações.

Dia 25 de maio de 1996:

Depoimento de Edmond Hook morador de uma casa à uma rua e um quarteirão de onde Harold foi morto. Rua Lance, nº 345
Antigo padre.
Disse que conhecia Harold, pesquisar mais sobre.
Contou que não sabia nada sobre o assassinato e que a casa onde mora foi vendida à ele por Harold.
Sem mais declarações.

Lisa encontrou enfim, uma luz no fim do túnel. A tarde já ia longe quando ela finalmente parou um pouco de ler os arquivos sobre a morte do pai e foi tomar um banho. Enquanto se ensaboava teve a idéia de ir até a casa do senhor Edmond no dia seguinte. Mas antes, chegou à conclusão que precisava esfriar a cabeça. Ligou para Helena que já havia saído do trabalho há uma hora. Lena atendeu dando uma bela gargalhada e Lisa lhe perguntou onde estava.
- Oi Lis! Estou aqui no bar do Jim! Estamos todos aqui, eu, Harry, Louise, Joe e Denise!
- Posso ir até aí também? Preciso esfriar os pensamentos.
- Claro que sim! Te esperamos aqui!
Lisa disse que tudo bem, desligou o telefone e foi para o quarto se vestir. Decidiu se arrumar. Precisava de um bom chute, para que sua auto-estima voltasse à tona. Colocou um belo vestido de verão, azul escuro com uma fivela prateada na cintura. Se maquiou, colocou brincos e sapatos, pegou a bolsa e saiu de casa.
Chegando no bar, a energia era outra.
Música ao vivo, um coutry rock muito animado e risadas e mais risadas ecoavam pelo bar. Lisa encontrou logo Helena, com suas belas pernas de fora numa saia curtíssima. Cumprimentou ela e à todos e pediu um Martini. Lisa chamou a atenção de Helena e contou à ela as novidades que havia conseguido. Contou sobre o padre que iria visitar no dia seguinte e Lena lhe disse que ligaria para saber as novidades.

Depois de algumas horas bebendo, Lisa já se sentia muito mais descontraída. Notou então, que no fim do balcão havia um homem realmente muito atraente a observando. Deu um sorriso e ele então, se aproximou. Disse:
- Olá, posso me apresentar?
- Claro.
- Meu nome é Julian De Marcs. E você é a moça mais bonita que eu vi neste bar esta noite.
Lisa já estava ruborizada pelo elogio e também pela bebida.
- Muitíssimo obrigado, senhor Don Juan. Você também é bem bonito.
- Que bom que você gostou. E então, você é daqui? Nunca vi você aqui no bar.
- Sou sim. É que eu tenho andado em abstinência de diversão. Mas minha amiga Lena, parece que não. (neste momento Lena dançava loucamente com um drink na mão)
- Você é amiga da Helena? Ah, diversão pra ela nunca é demais. E você, porque nunca aparece aqui?
- Problemas pessoais... Minha mãe morreu.
- Puxa, sinto muito. Espero que esteja tudo bem.
- Está sim. Eu já me sinto bem melhor, e você, é daqui?
- Sim sou. Sou advogado de pequenos casos. Gosto dessa cidade. Sem muita agitação, bons amigos.
-Espero que nós dois possamos o ser também!

E assim, a conversa continuou noite adentro. Quando Lisa percebeu, o rapaz já estava pagando doses de tequila para ela e para Helena, que ria loucamente enquanto lançava um olhar sensual para Joe, já que estava interessadíssima nele.
A noite terminou com o novo amigo de Lisa, Julian, levando-a pra casa.
Dentro do carro antes de se despedir, Lisa deu seu telefone para ele e ele retribuiu dando o seu próprio. Saiu com muito calor do carro, com o rosto afogueado pela tequila.

Tomou mais um banho, tirou os sapatos e caiu na cama adormecendo quase que na mesma hora.
Acordou com uma dor de cabeça terrível. Eram dez da manhã. Lisa viu que dali a algumas poucas horas já seria meio dia, então se apressou em lavar o rosto, se vestir e sair para visitar o velho padre cujo o investigador havia citado no seu bloco de anotações.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um Assassinato Arquivado

Capítulo 1

2010


Depois de 25 anos Lisa ainda se recordava da expressão no rosto de sua mãe quando lhe perguntou o que havia acontecido com o pai. Era difícil esquecer tudo o que aconteceu. Mas o que se podia fazer? Seu pai estava morto e nada iria mudar isso. Sua insatisfação e tristeza por saber que a polícia nunca conseguiu elucidar os fatos por falta de provas a perturbavam. No final, seu pai acabou como mais um “homem honesto que deve ter sido morto por algum maluco embriagado”. Foi em três de Abril de 1985.

Depois de mais uma madrugada mal dormida por pensar demais no pai, ela decidiu se levantar e vestir uma roupa leve. Não quis acordar a mãe. Ela parecia bem cansada no dia anterior. Lisa foi até a cozinha, fez um sanduíche, pegou uma coleira de cachorro e saiu para o quintal.

Depois de uma hora voltou ofegante para casa com um saco de compras e o pequeno cachorrinho peludo puxando-a para dentro da cozinha.
- Ah, Lisa, você está aí, deixe-me ajudar.
Sua mãe havia acordado. Estava pálida, como em todas as manhãs. De roupão, chinelos e cabelos soltos, caindo em cachos meio grisalhos pelas costas. Os cabelos dela eram lindos, Lisa sempre os admirou. Mas havia nascido com os cabelos lisos do pai.
Era triste vê-la assim. Demonstrando sinais de velhice, mas ainda assim tentando evita-los. Tentando parecer feliz e animada na frente da filha e chorando pelos cantos quando está sozinha. Há alguns anos ela não era assim. Dez anos depois da morte de Harold, Virginia parecia ter recuperado a vontade de viver. Parecia ter superado o assassinato do marido. Começou a namorar com um homem mais ou menos de sua idade e parecia extremamente feliz. Até que, este homem sumiu e nunca mais a procurou. Virginia tentava negar, mas todos notavam que o fato de ter perdido o marido a deixava vulnerável, carente e com uma dificuldade extrema de superar decepções. Depois deste breve namoro, ela só teve encontros casuais. Sempre chegava deles com aquele rosto magoado, aquele rosto de quem esperava encontrar alguém especial e encontrava apenas mais um. Depois destes encontros, Lisa muitas vezes pegava Virginia chorando no sofá da sala, segurando um porta retratos de Harold e sussurrando como sentia falta dele.
- A verdade é que nenhum homem será igual ao seu pai. – Ela dizia à Lisa quando esta lhe perguntava por que depois de tantos anos ela havia simplesmente parado de sair com outros homens.
Quando Lisa era mais nova, entendia a mãe e não achava errado este ‘luto eterno’ que tomava conta dos dias de Virginia. Mas depois de um tempo, quando se tornou adulta, percebeu o quanto ver a mãe sozinha e desolada a deixava mal. Lisa passou a achar horrível a tristeza da mãe, por saber que ela própria nunca havia superado a morte do pai e sentia na pele como era difícil.

Depois de guardar as compras nos armários e na geladeira, Lisa foi para o quarto e ligou seu computador. Tinha um relatório para entregar assim que voltasse ao trabalho e não podia esquecer de terminá-lo. Suas férias estavam só começando e ela detestaria passa-las trabalhando, nem que fosse em casa. Decidiu dedicar a primeira semana dos dois meses que possuía para terminar logo tudo que estava pendente. Era estranho pra ela saber que teria dois meses inteiros para descansar. No ano anterior, recusou as férias porque precisava muito se distrair de seus problemas e o trabalho, era sua melhor opção. Neste ano, ela havia decidido aceitar as férias com um mês adicional de descanso.
Lisa passou a tarde no computador. Tomou um banho, ligou para uma amiga e depois foi preparar a janta. Já fazia alguns anos que Virginia não cozinhava. Se não fosse Lisa, a mãe sobreviveria de sanduíches e café requentado. Mas era deplorável demais. Tão deplorável que há dois anos Lisa adotou Lucky, o cachorro vira-latas que ficava no quintal. Adotou-o para dar um ar agradável e animado à casa, para tentar dar alguma alegria àquele ambiente e à sua mãe. Mas pelo visto, nada resolvia o desânimo de Virginia.
Naquela noite, Lisa preparou um belo espaguete.
- Mãe, o jantar está pronto! – gritou ela em direção à porta da sala.
- Não estou com fome querida. Coma você. Se eu sentir fome preparo algo depois.-Virginia respondeu.
Com visível desapontamento, Lisa sentou-se e comeu solitária seu jantar. Parecia que a cada dia ficava mais difícil agüentar os lamentos de sua mãe. Sua infelicidade a deixava imensamente magoada. Mas ela nada podia fazer.

No dia seguinte, Lisa acordou com olheiras. Passou a noite toda tentando terminar o relatório para o trabalho e conseguiu fazer grande parte. O dia passou normalmente e ela estava aproveitando as férias para malhar um pouco, já que havia parado há um tempo. Nesta noite, preparou uma lasanha de frango para o jantar. Mas infelizmente, ninguém a comeu.
- Mãe! Eu preparei uma lasanha, você quer? – ninguém respondeu. – Mãe?
Lisa entrou na sala e esperou ver a mãe sentada no sofá assistindo televisão, mas não encontrou nada. Foi até o quarto e bateu na porta – Mãe? Você está acordada?
Nada.
Com calma, Lisa abriu a porta e encontrou sua mãe deitada na cama, de costas para a porta, aparentemente dormindo. Ela chamou de novo por ela, e não obteve resposta. Decidiu dar a volta na cama e então, tomou um susto. Virginia jazia de olhos abertos enquanto ainda segurava nas mãos um frasco vazio de remédios.
Lisa desabou. Caiu sentada no chão, olhando vidrada para aquela cena. Até cair no choro e exausta; fechar os olhos da mãe.
Ficou sentada ao lado dela. Observando-a. Vendo como seus cabelos cacheados descansavam no travesseiro. Lisa nunca mais os veria. Depois de passar pelo menos uma hora tomando forças, ela foi até a sala, pegou o telefone e começou a árdua tarefa de ligar para o hospital pedindo uma ambulância. E depois, preparar o funeral.
Ela fez tudo da forma mais simples. Um velório apenas para parentes mais próximos. Afinal, depois de tanto tempo de amargura Virginia perdera também, os amigos.
Dois dias após o funeral, Helena, melhor amiga de Lisa há anos, foi vê-la em sua casa. Quando chegou, encontrou-a sentada numa cadeira à mesa da cozinha. Ela tomava café, e lia um jornal velho.
- Oi Lis... Desculpe chegar assim. A porta estava aberta. Você se importa? – Lisa levantou para Lena dois grandes olhos inchados e quando falou, Helena pôde notar um desanimo tremendo.
- Não, não me importo. Eu fiz café, você quer?
- É claro. – Lena foi até o balcão, pegou uma xícara e se serviu de um pouco de café preto fumegante. Depois de se acomodar numa cadeira em frente à Lisa, ela prosseguiu.
- E então, como você está? Sinto muito por não ter vindo te ver ontem.
- Não se preocupe comigo. Eu ainda não estou bem, mas vou ficar. Só preciso encontrar algo que me distraia.
- Suas férias demoram muito pra acabar?
- Sim. Estão no início ainda. Mas eu vou arranjar algo pra fazer, em breve.
- Hm. Já pensou em algo?
- Pensei em algumas coisas, mas ainda preciso decidir qual delas me ajudará a esquecer tudo isso mais rápido, entende. Eu posso optar por fazer algo que me distraia por um tempo, ou algo que simplesmente ponha um fim neste luto. Minha mãe morreu pelo luto que nunca conseguiu superar. Não quero que aconteça comigo o mesmo, por mais difícil e doloroso que seja.
- Você pensou em viajar, talvez? Visitar amigos ou algum parente distante. Conhecer algum lugar que você sempre quis ver, ou algo assim?
- Não. Não posso viajar. Além de ser caro, isso só vai me dar um alívio momentâneo. Na verdade, eu estava pensando em outra coisa, Lena.
Lisa pousou o jornal na mesa, e empurrou-o para a amiga. Helena parou a xícara a meio caminho da boca.
Era o jornal local do dia quatro de abril de 1985. Lena não prestara atenção antes, mas viu que o jornal estava velho e amarelado. E pousou os olhos, no que já imaginava. A matéria da morte do pai de Lisa. Uma nota não muito grande, apenas alguns poucos parágrafos, explicando o que acontecera no dia anterior. Uma foto pequena, de um Harold Hervik sorridente, acompanhava o texto.

Homem é morto a facadas
Na madrugada de ontem, dia 3, Harold Hervik, 50 anos,
foi esfaqueado no cruzamento da rua Pearl, com a rua Saint Ann.
A polícia afirma que fará de tudo para descobrir o culpado, mas
que não pode garantir nada, já que não foi encontrada a arma do
crime. Pessoas de casas próximas já estão sendo interrogadas
sobre os acontecimentos.
Harold Hervik, deixa uma filha, Lisa Hervik, 7 anos, e a esposa
Virginia Johnson Hervik, 40.

Depois de ler uma segunda vez a pequena nota do jornal, Lena ergueu os olhos para a amiga.
- Você não está pensando em retomar as investigações agora, está?
- Sim, estou. Não sei até onde isso vai me levar, mas posso precisar de sua ajuda.
- Lis, você tem plena consciência de que as investigações não deram em nada mesmo depois de sua mãe contratar um investigador particular? Como você, sozinha, vai conseguir desvendar um crime desses, Lis. Pense! Fazem o que, 25, 26 anos?!
- Vinte e cinco. Eu sei que pode não dar em nada, mas você não entenderia como isso é importante para mim. E eu não vou estar sozinha. Vou ter sua ajuda nos assuntos policiais.
- Mas Lis, uma simples tira como eu não tem como te ajudar numa coisa dessas.
- Tem sim. Se eu precisar de algum arquivo que a polícia não queira me fornecer, você pode me conseguir.
- Você está delirando, Lisa. Não posso colocar meu trabalho e minha carreira em risco por um capricho seu. Simplesmente, não posso.
- Ok. Farei as coisas sozinha então. Entendo que sua carreira é extremamente importante e não vou insistir nisso. Mas você não me fará desistir de investigar a morte dele.
- Bem, eu vou pensar. Se você conseguir ir adiante de alguma forma, posso tentar. Só não entendo como isso vai te ajudar a superar a morte de Virginia. No final, isso tudo pode te trazer uma frustração ainda maior. Você tem noção disso?
- Tenho. Mas você pode ter certeza de que já tenho frustrações suficientes para não me abalar muito caso tudo der errado. Mas, Lena, minha mãe morreu por isso. Minha mãe acabou com a própria vida por ter perdido ele e nunca ter encontrado uma explicação para o que aconteceu. Eu tenho certeza, que se o canalha que fez aquilo tivesse sido preso, teria sido mais fácil pra ela enterrar meu pai. Teria sido mais fácil pra ela pensar nele de um jeito bom, sem se sentir culpada por nunca ter esclarecido os fatos. Se quem fez isso, tivesse sofrido as conseqüências de seus atos, eu sei, que meu pai descansaria em paz. Só o que eu quero Lena, é dar um descanso tranqüilo à minha família.

Helena, vencida pela convicção de Lisa, concordou em levar adiante essa idéia. Lena sabia, que a amiga era a teimosia em pessoa e não desistiria até conseguir o que quer. Ninguém tiraria a vontade de encontrar o assassino de Harold, de sua cabeça.
- Tudo bem Lis. Se você precisar de ajuda, eu concordarei em te ajudar desde que não seja algo que coloque meu emprego em sério risco. Tudo bem?
- É claro. Obrigado, Lena. – Lisa abriu um meio sorriso, sentindo-se grata por ainda ter uma amiga com quem contar.
As duas continuaram conversando por mais meia hora, até Helena, decidir ir embora. Durante aquela noite, Lisa decidiu organizar os pertences da mãe em caixas. Ela sabia que era melhor que isso fosse feito logo, pra evitar o impulso de entrar no quarto e esperar ver Virginia ali, dormindo. Buscou algumas caixas grandes na garagem e começou a separar o que seria doado para alguma instituição qualquer e o que Lisa iria querer guardar como lembrança.
Depois de duas horas, ela já havia separado roupas, sapatos e acessórios em caixas grandes e alguns pertences pequenos em uma caixa menor. Lisa decidiu guardar da mãe a escova de cabelos, as caixinhas de música, as jóias, e o anjo de porcelana que a mãe recebera de presente de Harold, há muito tempo. Também decidiu ficar com a coleção de discos de vinil de Virginia. Depois de lacrar as caixas com fita adesiva e organizá-las perto da porta da cozinha, arrumou todos os discos de vinil numa prateleira na estante da sala. Guardou todos, menos um. Um álbum clássico do cantor de blues Howlin’ Wolf. Aquele era o disco preferido de sua mãe e também de seu pai. Lisa nunca entendeu como alguém como Virginia pudesse ser tão apaixonada por blues, quanto o pai era. Quando era pequena, Lisa encontrara diversas vezes, os pais sentados no sofá da sala de estar, ouvindo as canções daquele disco e rindo juntos, enquanto recordavam a juventude que tiveram.
Lisa observou a capa do disco e passou as mãos pela escrita num canto: ‘para meus melhores amigos e casal mais apaixonado, Virginia e Harold, da sua sempre amiga Elisabeth. 15 de Outubro de 1979’
Lisa nunca conheceu Elisabeth. Sua mãe sempre lhe contava histórias dela, dizendo que era uma velha amiga do casal que se mudou para longe. Dizia que era uma ótima pessoa. Pelo visto, o disco foi presente de casamento dela, para o casal, já que a data depois da citação era de alguns dias após o casório.
Levou o disco até a velha vitrola e o colocou para tocar. O som da voz rouca e grave de Howlin’ Wolf ecoou logo, por toda a casa. Lisa se dirigiu até o armário de bebidas da sala de estar. Seu pai adorava aquele armário. De madeira de mogno, com portas que pareciam janelas de vidro emolduradas por uma madeira detalhadamente talhada à mão. Pegou um copo, e se serviu de uma dose generosa de uísque.
Sentou-se no sofá e ficou ouvindo música e bebendo. Notou porque seus pais adoravam aquele álbum. As músicas eram lindas, e a embalaram até um profundo sono, deitada entre as almofadas do sofá.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um Assassinato Arquivado


Vai aí galerë, depois da aprovação de muita gente e de corrigir alguns erros, a introdução do meu romance. Aguardem pelo 1º capítulo!


Introdução

1985
Lisa acordou assustada com os gritos da mãe e completamente desnorteada pela sucessão de fatos. Sua mãe abrindo a porta do quarto como se estivesse arrombando um cofre, acendendo a luz e gritando alto pra que ela acordasse.
- Lisa! LISA! Acorde, vamos! Querida, me escute. Escute bem o que a mamãe vai te dizer. Você não precisa sentir medo, tudo bem? Aconteceu algo ruim com o papai e eu tenho de ir ajudar, ok? O que eu quero, é que você leve suas coisas pra sala de estar e se deite no sofá, está me entendendo? Quero que você fique atenta, e caso o telefone tocar, atenda e anote o recado. Você me entendeu?
- Sim, mas o que houve com o papai?
- Ah querida... – a mulher abraçou a filha e se pôs a chorar – Algo muito ruim... Mas depois a mamãe te explica ok? Você vai fazer o que eu lhe pedi?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dias de Ócio (III)


Porque me dizes que não devo chorar?
A brisa chora
Quando a névoa úmida toca o seu rosto
Deixe a brisa chorar.

Os anjos choram
Na sua estadia eterna ao lado dos túmulos
Porque me dizes 'não chore'?
Deixe os anjos chorarem

Sejamos francos
O que tenho eu de economizar?
As lágrimas?
Ou o lenço úmido de meu choro amargo?

O que eu deveria mesmo economizar?
São palavras aos surdos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Dias de Ócio (II)


No cinzeiro jazia meu último cigarro
Amassado, esquecido, rejeitado.
Tenho pena de meus cigarros.
Por terem uma vida em brasa plena,
Mas tão curta,
Antes de serem apagados.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dias de Ócio (I)


Os meus olhos que te vêem
Te vêem como as carpas do lago
Olham por entre o espelho de água
Teu rosto limpo e sorridente

Se o clamar dos deuses me permitisse
Eu correria para teus braços
Porque carrego como um fardo
A beleza dos teus olhos

E o peso de te amar.

domingo, 23 de outubro de 2011

Fúria


...”Eu fico imaginando, sua casa e seus amigos, com quem você se deita, que te dá abrigo. Eu me lembro, que eu já contei com você”...

Ontem, eu tive um ataque de raiva. De fúria. Me enchi de vontade de pisar em você, encher sua cara de bofetadas até você ficar irreconhecível. Eu amo você, mas meu ódio é maior. Porque a sua indiferença é exatamente o que me dá mais asco.

Senti vontade de vomitar, vendo que você simplesmente nem se lembra mais de mim. Vendo que você está aproveitando a vida como ninguém sem nem ligar pra mim. E eu fico aqui, morrendo de vontade de morrer.

Se você soubesse por quantas vezes eu quis acabar comigo mesma. Porque até EU me sinto desprezível por saber que amo alguém tão ruim pra mim. Talvez, seja sentimento de auto-destruição. Talvez eu goste de me fazer mal.

Me sinto tão perdida quando tenho pequenas alegrias e penso em você. E penso em como seria ter você comigo. E penso em como seria ter a atenção que você dá à ela.

Há muito tempo eu sei que você não merece meu amor.

Eu quero morrer aos poucos.

Eu nunca mais vou me apaixonar.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sem nome.


Eu vou estar esperando por você. Eu esperei a vida toda e já estou aqui, bebendo uma garrafa inteira sozinha. Então quer saber? Meu coração é seu, você decide o que fazer dele e as decisões que ele vai tomar. Parece que as músicas me lembram você que tudo me lembra de você. Quando eu vou ver você de novo?

Existe uma frase que diz que quando você achar a pessoa certa vai notar porque nunca deu certo com ninguém antes, mas eu penso que... Quando você achar essa pessoa, você vai viver os melhores momentos da sua vida com ela e aí sim, ela vai te deixar.. e aí você vai notar que todo mundo que te ama um dia vai embora e que Deus não é bom o suficiente pra te dar as coisas que você merece.

Você vai ver que aquela pessoa teve momentos bons do seu lado mas que os teve do lado de muitas outras mulheres e você vai se perguntar: o que eu fiz de errado?

Não... O pior é que você não fez nada errado... Ele, que apenas te fez feliz e te deixou.

Esqueça. Um texto esquisito escrito por uma bêbada não deve fazer tanto sentido quanto as porcarias que você lê nas revistas todos os dias.

Mas pelo menos esse é um texto verdadeiro. Que mostra o quanto eu te amo e quanto eu sinto sua falta.

Você não está nem aí. Acha que tudo que eu escrevo é pra você. Mas tudo que eu escrevo é pras várias garotas que já sentiram a solidão de te querer e não poder te ter. E não poder te amar. É pra todas as garotas que já sentiram suas mãos. Que já sentiram o calor do seu abraço e sentem falta disso. Tenha certeza, você vai sofrer. Vai sofrer como nenhum ser humano já sofreu antes.

Você vai sentir tanta falta do meu toque, dos meus carinhos do que nenhuma pessoa já sentiu antes. E aí, você vai ver o quanto eu era importante. Porque ninguém vai te fazer sentir o que eu te fiz sentir. Foi diferente, porque nós sabemos, naquele reencontro. Você me abraçou tão forte, tão apertado, que era difícil sentir qualquer brecha de sentimento vazia. Você me amou tanto naquele dia que eu sei que quando nos encontrarmos de novo você vai me amar assim... Com toda a saudade que sentiu, com toda a falta que sentiu e vai se culpar eternamente por ter me feito sofrer deste jeito.

Você está na minha mente, todos os dias, todas as horas e eu nunca, NUNCA, vou te esquecer.


Issaí tá uma merda. Escrevi bêbada na última quarta feira. De qualquer forma tá aí. Foco, força e fé! Falô!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Kill Him


Sim, eu sei que estou num péssimo caminho.

Auto destruição é o próximo passo.

Você não sabe, mas hoje eu apaguei um cigarro na sua cara.

Desejei que você pensasse em como eu te agradava enquanto transa com ela.

É, o futuro me aguarda, seu imbecil.

Você nunca ficou por tanto tempo com uma pirralha, havia sim algo à mais.

Esse algo a mais vai te atormentar daqui algum tempo.

Pode demorar, mas a minha lembrança vai voltar a sua mente e você vai querer atirar na própria cara por ter desperdiçado o que nós tivemos.

To indo prum buraco cada vez maior. Mas não me importo.

O amor é assim mesmo.

O amor, é como uma puta barata.

Transa com você e no dia seguinte some com sua carteira antes de você acordar.

O amor vai me foder como sempre.

E eu, pra fugir, alcanço uma alegria passageira e nunca me mantenho sozinha.

Quero tomar um bom gole de vinho, alguns comprimidos. Fumar um cigarro. Ouvir Rolling Stones. E fugir da depressão ridícula em que você me meteu.

Você não sabe quantas vezes eu já me imaginei socando você. Enfiando uma faca no seu pescoço ou te chutando até você perder o ar.

Você não sabe quantas vezes eu me imaginei dizendo tudo que te escondi bem no meio da sua cara, pra você ficar com ódio, com raiva de mim.

Hoje eu não desejo mais morrer.

Desejo que você morra.

Tarefa de redução de Stress nº 55:

Calmantes e Whisky barato.


domingo, 12 de junho de 2011

Te Espero


Ainda lembro do dia em que você descobriu uma de minhas fraquezas. E em meio ao clima tenso e meu rosto triste, você decidiu contar uma piada. A vontade de me enfiar num buraco gigantesco e nunca mais sair, passou. E eu ri. Eu sempre vou te querer. Sempre vou te esperar.

"Sempre que preciso parar e lembrar de quanto amei Andrew um dia, basta pensar nisso. O fato de o oceano cobrir sete décimos da superfície da terra e ainda assim meu marido ter conseguido me fazer não notar tal coisa. Era a dimensão dele em minha vida..." (Trecho de Pequena Abelha)

Tarefa de redução de stress nº 54:
Ler um drama BEM foda.

domingo, 29 de maio de 2011

Texto 1.0


Noite fria.

Desdobro a barra das mangas pra cobrir as mãos.

O ambiente é sereno. Risinhos ao fundo, mas tango em minha mente...

“Un, dos, tres, cuatro, tierra, cielo”...

Vento leve, apenas arrepia.

“Cinco, seis, paraíso, infierno”...

Aperto o casaco contra o peito. O céu está nublado. No embalo de uma batida forte e um acordeom calmo, ouço tudo à minha volta do meu jeito.

É difícil. Cada dia sem ti, parece um mês de desespero. Cada música sem teus olhares parece uma melodia triste.

Cada mistério sem teu toque ao lado, parece um enigma chato.

Uma risada arrancada em meio ao cheiro de cigarro e papo calmo.

É assim que eu levo.

Sentindo num momento completa satisfação e em outro, me afundando na mágoa.

É assim que eu espero.

Tua volta.

Teu retorno impossível.

Teu abraço aquecido.

Teu beijo tanto quisto.

Nunca realizado.

Tarefa de redução de stress nº 53:

Ler, tomar café, comprar sapatos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Perfume

Garota com cheiro de jasmim
Que lança um perfume sobre mim

Eu quero sua flor no meu jardim
Eu quero seu perfume até o fim.


Hm, mas se eu pudesse tê-la, se eu pudesse vê-la como eu queria;

Como eu queria arrancar seu cheiro com o meu suor

Funde o meu desejo com o seu perfume numa só fragância.


Com deselegancia, acho que o seu cheiro fica bem melhor.


Eu quero o orvalho da sua flor.
Eu quero devorar você com amor.

Eu quero o sabor da sua dor,

Enquanto eu arranco cada pétala com a boca só pra ver a cor.


A cor que ninguém viu, que ninguém abriu, que ninguém ousou.

A flor que foi guardada só pra ser entregue ao verdadeiro amor

A flor que desabrocha com um toque certo do seu amante, com calor, calor que faz suar, amor.


(Perfume - Marcus Appel)


Quero agradecer ao amigo Arthur por ter apresentado a "Ana Carolina" de sua família. Ouça Marcus Appel. O troço É BOM.


Tarefa de redução de stress nº 52:
Amenizar o ambiente. Acender um incenso e lembrar de você. Acender um pensamento e te querer de volta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pergunta.


Depois de tudo, depois de todos. Eu gostaria apenas de fazer-te uma pergunta: tu sentes saudades de mim? Do meu corpo ao lado do teu? Do meu riso arrancado por ti? Tu sentes falta? Porque eu... Eu vivo de saudades e pensamentos impossíveis. Vivo de um grande vazio de infelicidade. Um vazio que antes tu preenchias e aquecia. Não sei te esquecer. Não sei, não lembrar-me de ti a cada música.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Playlist

Hoje eu fiz um playlist especial. Tomei coragem. E depois de cinco meses pus pra tocar todas as músicas que escutava contigo. Que me lembravam tua casa, teu rosto, teu beijo. Coloquei Gotan Project, Cartolas, Sara Bareilles, Vetusta Morla, Capitão Córdoba, Tim Maia e até mesmo Noriel Vilela.
Sabe o resultado?

Acho que nunca chorei tanto em minha vida...

Tarefa de redução de stress nº 51:
Bosta nenhuma.